A MULHER PODE SER O QUE QUISER – Janaina Calonga da UpanƏ

A MULHER PODE SER O QUE QUISER!

“- Oi, sou a Jana, Padeira da U'panƏ!”

É assim, dessa forma descontraída, que Janaina Calonga se apresenta em eventos e feiras. Descendente de italianos, nascida e criada em Indaiatuba, tem sempre um largo sorriso no rosto que ilumina o ambiente por onde passa. Quem a vê, com seus aventais super modernos e faixas coloridas na cabeça, nem imagina os caminhos pelos quais ela percorreu até se tornar padeira.

 

Jana, como é conhecida, foi executiva e durante muitos anos trabalhou como consultora de marketing internacional e, segundo ela, era o esteriótipo clássico: vestia camisa branca, saia lápis preta e sapato de salto alto fino. Depois, migrou para o mundo corporativo e chegou a morar por três anos na China, onde era diretora de uma empresa. “Viver na China foi transformador. Quando você é diretora de uma empresa lá, as pessoas esperam que você se torne um grande sucesso, saia na capa da Forbes e tudo mais. Então me perguntavam: quais são os seus planos para daqui cinco anos? E eu não tinha plano algum… mas respondia: vou ser padeira, depois açougueira e, por fim, eremita. E assim o assunto se encerrava. E veja só o poder das palavras! Tornei-me padeira!”

 

Janaina conta que a transformação na sua carreira ocorreu de forma natural. Ela estava cansada de fazer o que fazia, mas não tinha ideia do que poderia fazer. “Na China, você quer fazer hambúrguer ou cachorro quente para os amigos, mas não tem os pães para isso. Então, comecei a fazer pão de hambúrguer e de cachorro quente. Aos poucos decidi que me tornaria padeira e voltaria para Indaiatuba”.

 

Ela foi para a Itália por duas vezes estudar panificação e sempre era a única mulher da turma. Segundo ela, não a tratavam bem, estranhavam a presença de uma mulher, num ambiente que é tradicionalmente masculino. “Mas eu, percebendo isso, brincava com a situação e usava laçarotes enormes na cabeça, vestia saia com cores berrantes! Era muito divertido! E eles me colocavam para trabalhar no forno nos dias mais quentes, e achavam que por estar vestindo saia não poderia carregar o saco de 25kg de farinha. Mas eu não me intimidava. Até hoje tenho amigos que fizeram o curso comigo e falam que marquei a vida deles, porque nunca imaginaram que uma mulher poderia ser padeira e de saia!”

 

Há três anos, ela decidiu empreender e criou a U’panƏ, uma micropadaria artesanal, que utiliza uma técnica muito antiga de panificação, de 100 mil anos atrás, mas só vende pela internet ou em feiras e eventos.

 

Janaina é uma mulher inspiradora, forte, criativa, inteligente, divertida e que define o empoderamento de uma forma bastante peculiar. “Eu não gosto dessa palavra, porque parece que eu tenho que ser a melhor profissional, a melhor filha, a melhor mãe, a melhor mulher. Empoderamento para mim é liberdade! Inclusive de dizer não, eu não quero ser a melhor padeira, quero ser uma padeira regular. Empoderamento para mim é poder escolher. E a mulher pode ser o que quiser, o indivíduo pode ser o que quiser. Isso é poder.”

 

*U’panƏ – no dialeto de Molise (Itália) quer dizer “Pãozinho”.

 

Assista a entrevista completa:

Texto por:

Fabiana Biondi

Jornalista e Redatora

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